segunda-feira, 7 de abril de 2008

Roraima vira palco de guerra

A guerra está separando até grupos de índios



RORAIMA - Pontes incendiadas, máquinas agrícolas bloqueando acessos às estradas, índios pintados para a guerra. Este É o cenário no interior da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, nos últimos dias. O clima de tensão e violência na região aumentou após a chegada a Roraima de agentes federais que farão a retirada dos não-índios que ainda permanecem na terra indígena. Na sexta-feira, desembarcaram em Boa Vista integrantes da Força Nacional de Segurança.
A retirada dessas pessoas, incluindo um grupo de arrozeiros, foi determinada pelo governo federal em 2005, quando Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que homologou de forma contínua como terra indígena a área de cerca de 1,7 milhão de hectares. Porém, parte dos não-índios, liderados pelos rizicultores da Raposa/Serra do Sol, permanece até hoje no interior da reserva.
A vila do Surumu, na região de Pacaraima, é o centro da crise, onde há cerca de 300 famílias, a maioria não-índia. Ela também abriga o chamado "polígono do arroz", onde oito fazendas estão sediadas.
De um lado da vila estão concentrados os índios favoráveis à homologação, que defendem que a terra deve ser exclusivamente dos indígenas. A igreja católica está do lado deles. Do outro lado, estão os índios contrários à medida do governo federal e que defendem a permanência de não-índios na área, inclusive os arrozeiros. esses pertencem em sua maioria à religião evangélica e são ligados à Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima). Com a destruição de duas pontes, a vila do Surumu e o município de Normandia ficaram isolados. Duas pessoas foram feitas reféns e artefatos explosivos foram deflagrados.

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