quinta-feira, 5 de junho de 2008

Não é só o cartão que é corporativo, tirar
deputado da cadeia também é.




Gerson Tavares



Álvaro Lins teve a seu favor o corporativismo quando a Polícia Federal o enquadrou e o levou para ver o sol nascer quadrado. Mas aí, um diploma de deputado estadual, que já há quem diga que foi adquirido com votos comprados, falou mais alto e ele se livrou da cana. Eu fiquei olhando a lista de nomes daqueles pares que votaram pela sua liberdade e alguns deles, realmente eu não esperava ver ali. Entre esses, o Luiz Paulo Correia da Rocha, no meu entender, um cidadão de bem. Aí vem aquela história de que pela “constituição” Álvaro tem esse direito de foro privilegiado e que a “constituição” tem que ser cumprida. Eu não rezo por essa cartilha, fiquei chateado com o Luiz Paulo, mas vá lá. Isto é a “constituição”, que é feita por eles mesmos, os políticos, que em sua maioria são “politiqueiros”.

Agora vejo que o Luiz Paulo está se redimindo do seu “deslize” de cumprir a “constituição” e como corregedor da Assembléia Legislativa do Rio está pedindo a cassação do mandato do ex-chefe de polícia Álvaro Lins. Diz Luiz Paulo que é estarrecedor o caso do Álvaro e que há provas contundentes contra ele. Pelo que dá para entender, Álvaro Lins era o chefe da quadrilha que dava cobertura a máfia dos caça-níqueis e que comandava um grande número de policias (se é que podemos chamar bandido de policial) em um grande esquema de extorsão.

Junto com o Álvaro muita gente “boa” também está arrolada, inclusive o ex-governador “Garotinho” que disse que a arma dele é a Bíblia. Eu tenho minhas dúvidas se religião leva alguém para o bom caminho. garotinho deveria falar que ele não tem nada com isso, que ele não é responsável pelos atos dos outros e que tudo aconteceu sem seu conhecimento. até porque, num passado não muito distante, um perigoso bandido, o “Gordo”, se converteu e virou evangélico e após sair do presídio, em liberdade condicional, só andava com uma Bíblia na mão, coladinha ao peito e não passou muito tempo foi morto em seu carro na entrada de uma favela lá para os lados de São Gonçalo. Ele estva com aquela mesma Bíblia, só que dentro dela, carregava uma pistola.

Mas ontem, Álvaro Lins foi ouvido pela Corregedoria da Alerj por duas horas. Ao final, mesmo ouvindo a sua voz em gravações, mesmo com provas de todo o patrimônio que amealhou em pouquíssimo tempo em que mandou na polícia, ele negou todas as acusações e disse que só está sendo acusado, porque colecionou muitos inimigos pelo mesmo tempo que esteve no governo da família Garotinho.

Bem que o Álvaro Lins, em vez de colecionar inimigos, poderia colecionar “boas atitudes”.

Nenhum comentário: