terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mais um que ficou pela estrada



Gerson Tavares



Em menos de dez dias vimos um ministro e mais de vinte dos seus funcionários serem “saídos” do Ministério dos Transportes. Logo ouvi gente falando que agora sim, a Dilma está no caminho certo, está tomando atitude e mandando essa turma “lamber sabão”.

Para início de conversa o caminho certo era a turma toda ir dar com os costados na cadeia, mas aí alguém me disse que também já seria querer demais. Só que botar a turma na cadeia não seria demais se a Dilma fosse uma pessoa séria, mas pensando bem, como ela é tão política como todos os outros “quadrilheiros”, realmente é querer demais.

Mas aí eu pensei: pelo menos esses que roubaram já não terão mais como roubar e a Dilma só vai deixar gente séria, mas na sexta-feira lá estava estampada na primeira página do jornal “O Globo”, que o coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Dnit, Marcelino Augusto Rosa, foi promovido a coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Dnit pela presidente Dilma Rousseff.

Mas a reportagem não tinha como linha de raciocínio a simples promoção do Marcelino, que por ser um “servidor de carreira” tem a obrigação de zelar pelo bom nome da Pasta.

E logo abaixo ficou claro que gente séria não é o forte desse governo, tanto é que o “novo” coordenador do Denit, o Marcelino Augusto, já tinha dentro da própria casa, seu método de fazer dinheiro. Ele é casado com Sônia Lado Duarte Rosa e é ela, nada mais nada menos, que procuradora de oito empresas que fazem trabalhos para o Dnit, onde a maioria dessas empresas é responsável pela sinalização das rodovias brasileiras que, aliás, são, em sua maioria, tão mal sinalizadas.

E o que mais me chamou a atenção foi saber que graças a “aditivos”, algumas dessas empresas conseguiram dobrar o valor de seus contratos nos últimos anos. Sônia nega favorecimento e diz “ser uma coisa normal” parentes de servidores do Dnit, atuarem dentro do órgão. A coisa é tão às claras que Marcelino e Sônia são chamados pelos funcionários e empreiteiros de “casal Dnit”. Lógico que depois que o jornal “O Globo” estampou mais essa “tramóia” dos Transportes, o Paulo Sérgio Passos mandou o Marcelino “pedir para sair”.

Agora eu pergunto: “Será que o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, um sujeito já tão calejado no Ministério dos Transportes, não conhecia a fama daquela nefanda figura? Se Passos não conhecia, é sinal que ele sempre foi um funcionário relapso e se sabia, porque não avisou à Dilma o caráter do Marcelino para que ele não fosse nomeado? Mas será que só a Dilma não sabia? E se não sabia, agora que Marcelino foi demitido, por que não demite também o Paulo Sérgio Passos, por “erro de pessoa”? Ou será que ela sabia, mas estava contando em levar vantagem também? Se bem que em relação à Dilma não conhecer a fama do “casal Dnit”, ou conhecer e deixar “rolar” para ver se sobrava algum, eu fico com a segunda hipótese.

Agora estamos vivendo a semana das definições e o governo deverá anunciar os novos nomes que irão comandar o Dnit, nomes esses que deverão passar pelo crivo do Senado, coisa que não tem muita relevância já que são os deputados e senadores que dão respaldo aos maiores “pilantras” dos Ministérios e seus órgãos.

Mas já se sabe que um nome que está confirmado é o do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masella, homem de confiança do Paulo Sérgio Passos.

Pronto! “Lá vem mais um pilantra”.

2 comentários:

Jurandir Paranhos disse...

Hoje ouvi o Nascimento falar que a Dilma foi a culpada de tudo. E pelo que ele deixou no ar, nada é feito nesse governo que não tenha a assinatura da presidente.
Eu acredito nisso.

Jurandir Paranhos
São Paulo

ângela Junqueira disse...

A Dilma não é nem louca para fazer uma faxina. Se ela fezer isto, não tem quem apague a luz. O pior é saber quem iria assinar a demissão dela?
Ângela Junqueira Dantas
Belo Horizonte