Gerson Tavares
Ouvindo as notícias sobre a revitalização do Porto do Rio de Janeiro, começam a passar pela memória os bons tempos da região da Praça Mauá. Como será bom ver a vida voltar a região, hoje tão degradada.
Mas o que me faz escrever sobre a região portuária, e o fato de ver como esta região é disputada pelos grafiteiros e pelos pichadores. Quando os armazéns internos das Docas estavam sendo usados pelas Escolas de Samba, os grafiteiros davam um toque de alegria nas paredes dos barracões, mas com a ida das Escolas para a Cidade do Samba, os pichadores foram tomando o espaço e hoje, já não respeitam nem os grafites que já existiam.
Entre os pichadores mais fanáticos estão os evangélicos, que em todo armazém do cais faz pelo menos quatro pichações. E o pior é que são repetitivos. Num escrevem “Só Jesus tira o Tranca Rua do seu corpo”, em outro “Só Jesus tira Maria Padilha de você” e assim Jesus vai tendo que salvar a todos e de tudo. Uma falta de criação a toda prova. Aliás, entre as pichações evangélicas, a que mais me irrita é aquela que diz: “Jesus é Fiel”. E eu pergunto: “Não seria mais lógico que os evangélicos fossem fiéis”?
Tem também aqueles pichadores que se acham políticos e uns falam bem do PCdoB, outros do PCB, do PDT, do PRT e por ai vai de partido em partido, cada um menos conhecido que outro e como diz o meu amigo “Zé Doidão”, se juntarmos todos, vamos ter, no máximo, um partido “nanicão”.
Mas tem uma pichação que chama a minha atenção pela novidade que representa. “Liberdade para os presos políticos do Império”. Realmente que eu pensei que alguém da Escola de Samba Império Serrano, já que ali perto foi o barracão da Escola, havia entrado em alguma fria, mas procurando saber melhor, eles estão falando de presos da época do Brasil Império.
Gente, eu não sabia que essa turma durava tanto tempo e que ainda estivesse sofrendo as torturas da prisão. Foi ai que logo a seguir eu vi na parede seguinte, uma outra pichação que até pode explicar a do Império. “Brizola Vive”.
Parei, olhei e pensei. Será que Brizola fugiu uma segunda vez do país? E foi ai que, como dizem que da primeira vez ele fugiu travestido de mulher, o meu amigo “Zé Doidão” resolveu perguntar: “Será que desta vez ele foi travestido de defunto?”. E pensando bem, se o Brizola vive, por que não, os presos do Império?

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