sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lula relembra Médici


Gerson Tavares

Existem “atos” e “atos”, mas que de acordo com o momento e com a importância, podem ser cruciais na vida de uma pessoa. Mas imaginem se este “ato” puser em cheque vidas de outras pessoas? E não são muitas vezes que temos oportunidade de ver “atos” com esta importância.

Por isto, hoje vamos, em poucas palavras, falar de dois fatos onde, uma única pessoa, em cada caso, tomam atitudes que mexem com muitas outras pessoas. Lembram da Copa do Mundo de 1970? Pois bem, um dos fatos vem exatamente daquela época e daquela competição. O Brasil tornou-se campeão mundial pela terceira vez e o “ato” para muitos ficou no esquecimento, mas que tem até hoje um forte significado. Estava o país passando por um período de governo militar e generais eram substituídos no posto de presidente do país. Como dizem os governantes de hoje, numa ditadura militar e que até agora está engasgada na garganta de muitos.

Mas voltando ao “ato” daquela época, que aliás cai muito bem nos dias de hoje, porque a presidente Lula é um apaixonado por futebol, embora ele mesmo diga que é um perna-de-pau, mas naquela época existia um jogador de futebol, também meio perna-de-pau, mas muito “folclórico”. Estou me referindo ao Dario, aquele que ficou conhecido como “Dadá Maravilha”. O técnico da seleção brasileira, João Saldanha, o “João Sem Medo”, grande conhecedor do esporte bretão, era um jornalista sensacional, mas que não aceitava levar desaforo para casa. O presidente do Brasil era o general Emílio Garrastazu Médici, que gostava de futebol e assim como Lula, nada entendia do esporte, mas ainda como o Lula gostava de dar “pitaco” naquilo que não conhecia. Mandou um recado para o João, logo para o “João Sem Medo”, que “gostaria” de ver vestindo a camisa da seleção o “Dadá Maravilha.

Foi aí “que não prestou”. O João Saldanha nunca tinha nomeado um “simples” ministro e o presidente, queria escalar o Dario. Aconteceu uma crise na seleção que levou á demissão, o técnico João Saldanha, o “João Sem Medo”. Em seu lugar entrou Mario Jorge Lobo Zagallo, pouco antes da Copa do Mundo de 1970. E assim, Dario se tornou o único jogador da história a ser convocado por um presidente da República para fazer parte da Seleção Brasileira.

Este foi um “ato” que não teve piores conseqüências, até porque reserva não joga, mas foi uma intervenção que maculou o esporte. Mas outro “ato” hoje chama atenção, só que este poderá trazer consequências graves. E um presidente, este não mais nomeado pelos generais, mas eleito com o voto do povo, também se mostra um ditador.

Depois que o Lula fez todo aquele “carnaval” com a vinda de Nicolas Sarcozy para fechar a compra dos aviões de caça para a FAB, quando ele deu a “sua” (dele) palavra que os aviões seria os Rafale, da Dassaul , empresa francesa que está quase na falência, os técnicos da Aeronáutica, da Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate, expuseram claramente que a preferência, daqueles que entendem do assunto, está nos aviões suecos, Gripen NG.

Mas como Lula, dando uma de Médici, decidiu escalar o Rafale e como a Aeronáutica não aceita mexer no relatório técnico, o João Havelange, quer dizer, o Nelson Jobim, que é o ministro da Defesa de seu próprio emprego, tenta negociar com a FAB para que seja feito um texto que não seja tão conclusivo, para que o Lula não tenha um desgaste tão grande ao decidir pelo Rafale.

Só que como já disse, Dario foi reserva da seleção brasileira e nem entrou em campo, mas os aviões estarão levando vidas de brasileiros de valor em seu bojo.

É Boris Casoy: “Isto é uma vergonha!”

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