segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A “droga” é uma droga

Gerson Tavares

Sexta-feira, fim de tarde e lá ia eu assim como não quer nada pela Rua do Acre, ali perto da Praça Mauá. Passando em frente ao Bar do Domingos, ali na esquina da Travessa do Liceu, atrás da “velha” Rádio Nacional, tinha certeza que ia encontrar aquela figura quase lendária do meu amigo “Zé Doidão”. Não deu outra e quando o avistei, encostado ao balcão com aquela “loura gelada” e uma porção de queijo provolone, não pensei duas vezes e “cheguei bem chegado”.

Depois de uma semana sem bater aquele papo agradável, em final de um dia super quente de um quase verão se já se anuncia como explosivo, não estávamos a fim de comer aquela “famosa” feijoada do Domingos. Aliás, na semana passada, dos muitos amigos que sempre estão antenados nas notícias que escrevo e que sempre passam e-mails, um deles, o Juvenal, escreveu falando que a feijoada do Domingos é a mais “importante” feijoada do Rio e outros agradeceram por eu ter escrito aqui sobre o Bar do Domingos e todos falando que nem só a feijoada é atração da casa, mas também o modo de receber do “bom” Domingos.

Mas voltando ao “Zé Doidão”, ficamos ali mesmo na “beira do balcão”, próximo do “caixa”. Com o “papo”, aos poucos sendo colocado em dia, veio o assunto “violência” no Estado do Rio. Sim, até porque para o “Zé” não interessa só a cidade do Rio e sim todo um estado. E como o José Mariano Beltrame falou que “o Rio de Janeiro não é violento. O Rio de Janeiro tem núcleos de violência”, o “xará” do secretário quis dar também o seu “pitaco” no assunto.

Não é porque o Zè Doidão é meu amigo, mas cheio de razão, ele começou a falar: “Ora, se o xará falou ‘o’ Rio de Janeiro, ele não falou ‘da’ cidade e sim ‘do’ estado”. E do alto de sua “sabedoria”, ele viu o pessoal fechando a “roda” para ouvi-lo. “Se o Beltrame acha que a violência tem núcleos, então fica muito mais fácil combate-la. Mas o xará esquece que esses núcleos além de serem muitos, estão minando até a própria polícia. Todos estão vendo que um dos núcleos já está andando fardado”.

Neste momento já tinha gente querendo que o “Zé Doidão” usasse um megafone que alguém foi buscar numa barraca de camelô ali da Travessa do Liceu. Mas o meu amigo Zé não estava em campanha, só estava falando aquilo que ele, como morador da Baixada, conhece bem. “Falar em traficante e droga é fácil. A ‘boa’ polícia prende o traficante, mas o pior é que esse traficante que vai preso, é ‘fichinha’ perto daquele que está ali, morando de frente para o mar na Zona Sul ou na Barra da Tijuca. Esse, nunca vai ser preso porque antes da coisa acontecer, o telefone já tocou e ele foi para a casa de campo ou ata para o exterior”.

Aí veio a “bomba”, que como sempre, o “Zé” deixa para colocar um fim no assunto: “Mas se querem acabar com a ‘droga’, por que não começam por Brasília?”. Deu aquele branco nas pessoas que estavam em volta, mas o “Zé Doidão” não se fez de rogado e continuou: “Nunca vi tanta droga reunida como agora lá em Brasília. No Congresso e no Planalto, só tem droga”.

E sem voltar ao assunto Beltrame, pagamos a conta e saímos pela Avenida Rio Branco falando da “Escola de Samba Desunidos do lote XV”, a grande paixão do “Zé Doidão”.

Na próxima sexta-feira estaremos de novo lá no Bar do Domingos e segunda-feira vocês ficarão por dentro de tudo.

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