quinta-feira, 17 de julho de 2008



Justiça aceita denúncia de corrupção contra Dantas





Daniel Dantas é denunciado, mas sabe que
quem tem padrinho não morre pagão






SÃO PAULO – A Justiça Federal em São Paulo aceitou ontem a denúncia de corrupção contra o banqueiro Daniel Dantas e outros dois investigados na Operação Satiagraha. Ontem, Daniel que foi interrogado, chegou com meia hora de atraso. O interrogatório feito pelo delegado Protógenes Queiroz durou cerca de três horas.

Mais uma vez, por orientação dos advogados, Dantas ficou calado e a defesa pediu o afastamento do juiz Fausto de Sanctis do caso. “É certo que nós hoje tenhamos entrado com uma impugnação formal contra a atuação do Dr. Fausto de Sanctis, alegando que ele está comprometido do ponto de vista da isenção com o caso pelas entrevistas que deu, pelas declarações que formulou, pelo pré-julgamento que ele já fez em relação ao Daniel Dantas sem conhecer, na realidade, sequer a versão do Daniel Dantas”, disse o advogado Nélio Machado.

O juiz Fausto de Sanctis aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o banqueiro Daniel Dantas, o assessor Humberto Braz e Hugo Chicaroni. Agora os três são réus no processo criminal por corrupção ativa. Eles são acusados de tentar corromper um delegado da polícia federal, como mostram encontros gravados com autorização da Justiça entre Braz e Chicaroni. Eles pedem para o delegado tirar o nome de Dantas da investigação.

Na decisão, o juiz afirma: “todos os elementos da investigação dão suporte á denuncia ora oferecida no sentido de haver indícios de que Daniel Dantas teria determinado o pagamento de propina, na figura de Humberto, como representante do grupo Opportunity, com a participação de Hugo Chicaroni”.

“Isso não afasta, evidentemente, a possibilidade de serem oferecidas demais denúncias por conta dos crimes contra sistema financeiro nacional, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A idéia é que se sejam oferecidas denúncias no decorrer das investigações. O inquérito policial, é bom que se frise, se iniciou agora, ele não esta se concluindo”, declarou o procurador da República Rodrigo de Grandis.

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, negou pedido de extensão do habeas-corpus que beneficiou Dantas e a família para Braz e Chicaroni. Na decisão, o ministro do Supremo diz que a conduta de Humberto Braz e Hugo Chicaroni naquele episódio revela todo o destemor e desrespeito ás instituições, e que há indícios de participação direta e indireta dos dois em atos voltados a obstruir o desenvolvimento da ação criminal. Gilmar Mendes explica por que não manteve Daniel Dantas preso na semana passada: “Mesmo que se provasse a materialidade do suborno, não haveria indícios suficientes de autoria no tocante a Daniel Dantas”.

Nenhum comentário: