terça-feira, 9 de setembro de 2008

BRASIL


Satiagraha pode ser considerada ilegal





Por mais que a PF trabalhe, sempre vai aparecer
alguém procurando alguma coisa para investigação


BRASÍLIA - Em depoimento sigiloso de mais de duas horas para os delegados Rômulo Berredo e William Morad, no sábado passado, na Polícia Federal, o araponga aposentado Francisco Ambrósio do Nascimento confirmou ter participado da investigação da Operação Satiagraha, a convite do delegado Protógenes Queiroz, titular do inquérito. Servidor aposentado da Aeronáutica, Ambrósio nunca foi funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ambrósio disse que já colaborou em outras investigações da PF, algumas a convite de Protógenes, mas negou que tenha feito grampos ilegais contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, parlamentares ou jornalistas, como foi publicado na imprensa neste fim de semana. Longe de atenuar a crise, porém, a notícia trouxe um agravante e a PF já trabalha com a hipótese de refazer a operação Satiagraha. Sendo Ambrósio aposentado, sua presença no inquérito é ilegal. Se estivesse na ativa, sua participação seria defensável, uma vez que a lei ampara a requisição de servidores por um delegado.

A PF vai consultar a Justiça e o Ministério Público para evitar que os erros da primeira fase do inquérito beneficiem o grupo criminoso desbaratado na operação, que seria chefiado pelo banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity. A nulidade do inquérito, segundo um delegado com acesso à investigação, será fatalmente requerida pelos advogados dos réus, por vício de prova. Principal suspeita de ter patrocinado o grampo contra o presidente do STF e outras autoridades, a Abin informou ontem que Ambrósio não pertence a seus quadros.

E assim, mais uma vez os bandidos vão se distanciando das cadeias.

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