segunda-feira, 6 de junho de 2011

Palocci falou, mas não disse



Gerson Tavares



Sempre é bom bater na mesma tecla quando o assunto é corrupção. Não podemos deixar que esqueçam os escândalos, porque estamos numa época que enquanto um escândalo fica no esquecimento, outro maior vem à tona.

Por isso não podemos deixar que uma entrevista de Antonio Palocci ao Jornal Nacional ponha no canto as “maracutaias” do “prefeitinho do interior”. Já ficaram no esquecimento as “falcatruas” de seu governo na prefeitura de Ribeirão Preto. Em 2005, Antonio Palocci Filho se viu envolvido no escândalo do Mensalão, após ser acusado por Rogério Buratti, seu ex-secretário na primeira gestão como prefeito em Ribeirão Preto, de receber entre 2001 e 2004 R$ 50 mil mensais de propina da empresa Leão&Leão, que seria favorecida em licitações da prefeitura e tudo ficou por isso mesmo. Depois, já fazendo parte do governo federal, “foi saído” do Ministério da Fazenda por mandar quebrar o sigilo bancário de um simples caseiro.

Mas ele voltou à cena como deputado federal e aproveitou seu trânsito pelo governo Lula e montando uma empresa de “consultoria”, ganhou rios de dinheiro de empresas que precisavam estar entre as “parceiras” do governo federal.

E para mostrar que pilantra que é pilantra não se corrige, mais uma vez Palocci caiu em desgraça quando agora, já ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, em cargo que ele abiscoitou com o seu trabalho para garantir o dinheiro de campanha da candidata dos “aloprados” e o escândalo está aí, em todos os jornais, revistas, rádios e televisões e ele fingindo que nada aconteceu. É como diz o meu amigo “Zé Doidão”: “A mídia como sempre, atrapalhando os canalhas”.

Tanto Lula como Dilma estão mais é querendo ver o Palocci pelas costas e estão pedindo que os amigos conversem com ele para que mais uma vez “peça para sair” e assim evitar que o Congresso ganhe a briga, levando o “ministro trapalhão” a falar. Mas o sujeito é duro na queda e até agora, mesmo dizendo que vai esclarecer tudo, só falou ao Jornal Nacional, mas mesmo assim, sem dizer aquilo que todos querem sabe. Não adiantava perguntar as empresas que eram suas clientes e quanto ele faturou, porque ele respondia com outras respostas que nada tinham a ver com as perguntas.

E o pior é que ele acha que com aquela reportagem a crise está no fim, mesmo com gente do próprio PT falando: “Pede para sair!”

Foram dezenove dias de um silêncio sepulcral e quando falou nada disse. Falou sim, que não fazia tráfico de influência, mas também nunca vi nenhum traficante de drogas dizer que faz tráfico de drogas. A multiplicação do patrimônio de Palocci aconteceu como foi, há quase dois anos atrás, a multiplicação dos pães e dos peixes.

Mas de Jesus para Palocci há uma distância enorme.

Nenhum comentário: